domingo, julho 30, 2006

O contraste do alcalino em tanto sal de verao
1 lágrima em tao vasto oceano
reduzo-me na baixa maré
desintensifico-me enquanto o sol se poe.
Sou. E só nesta estaçao.

segunda-feira, junho 26, 2006

se te sentes invisivel, toca. nao é preciso pensar, basta sentir.
um dia é quase sempre cinzento com uma pincelada cor-de-rosa
e nem sempre é nosso.

domingo, abril 16, 2006

Teimosia

Fazia tanta questao em ir por dada porta que nunca reparei nas restantes. Fui empurrado e desta vez falharam-me as maos. Nao me agarrei, nao esperneei, deixei-me ir. Empurrem-me 'a vontade, perdi as reticencias.

terça-feira, abril 11, 2006

A cura para o amor, é amar.

segunda-feira, abril 10, 2006

Teor nulo

Vou escrever algo só por escrever, e vou escreve-lo de forma a que todos fiquem na expectativa que se conclua algo de interessante, avisando de antemao que pode originar decepçao, perplexidade ou até desígnio de arremeçar rebos e objectos aguçados. Isto porque quando se escreve com clara eloquencia, e se aplicam palavras caras a um texto sem qualquer tipo de conteúdo, é certo que aufira interesse e curiosidade ao leitor.
Alguns destes textos chegam a ser relíquias, preciosidades literárias. Aglomerados de figuras de estilo e raros sinónimos que se empilham num horizonte fútil.
Há quem leia e até exclame: "Porra, este gajo é facundo!".
Gostar de ler por ler, um lugar onde o ritmo frui mais importância e as palavras estimulam o cérebro sem que este deixe de dançar. Dissipar a capacidade analítica e ser um asno feliz. Abraçar sílabas e vírgulas, exaltando o silencio.
Ahh como é agradável nao haver teor.

quinta-feira, abril 06, 2006

Agradecido

Agradeço as pessoas que me fizeram ser o meu pior. Que me mostraram algo que desconhecia, ou tentava ignorar. Que, de certa forma, me ajudaram a crescer. A admitir erros que escondia no bolso, palpáveis mas longe da vista.
Agradeço do fundo do coraçao a todas as pessoas que passaram pela minha vida, e que de tudo fizeram menos mostrar indiferença. Porque essa sim, é minha inimiga.
Agradeço-te, sejas tu quem fores. Porque tens algo para me ensinar.

sábado, abril 01, 2006

'A vontade?

A verdade é que nao suporto mentalidades fechadas, sem sal.
A verdade é que me deixa doente constatar que uma conversa nao desenvolve porque alguem se sente constrangido.. Com a roupa que nao soube escolher e que nao interessa sequer. Com o ambiente circundante. Com pormenores ligados a profundas retrospectivas. Com uma virgula egoista que transforma um grupo num conjunto de pessoas.
A pura verdade é que por vezes, nao tenho conversa.

quinta-feira, março 16, 2006

Quanto baste

Por vezes basta um dia de sol de bem connosco. A chuva por muito que leve para a sarjeta, nunca nos filtra o quanto queremos.
Que venham mais, é preciso.

sábado, fevereiro 25, 2006

Elaçoes do momento

Hoje fui ao terraço da minha consciencia.
Sentei-me, olhei a minha volta, as coisas que vi de nada senti.
Metáforas de vivencias, exageros de pequenos dramas.
Ao cruzar a perna, senti um burburinho. Era a objectividade a enfiar-me o dedo no cu.
Passamos uma vida toda a perceber erros que cometemos vezes e vezes sem conta e nunca chegamos a lado nenhum.
Pensamos crescer e aprender, mas a ideia de crescer é só a crosta das feridas acumuladas.
Crescemos mas perdemo-nos.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Arrisca

Diz-lhe o que sentes
Pois nada deve ficar por dizer.
Faz-lhe o que dizes
Pois nada deve ficar por fazer.

Arrisca.

Que os olhos se cruzem, sinceros
que irradiem da alma, quase tudo.
Que as maos se toquem, trémulas
e transpirem do coraçao, o vosso mundo.

Pede-lhe entao,
um momento de atençao
Para lhe mostrares quem és.

Sem medo, param os relógios,
voam os receios.
Calam-se as tristezas,
erguem-se devaneios.

Dá-lhe pois,
um momento de atençao
Para te mostrar quem é.

Arrisca.

Segue em frente,
nao olhes mais para trás.
O futuro nao mente
mas o passado, é capaz.

domingo, fevereiro 12, 2006

Extremos e contrários

nunca respirei
nunca dormi
nunca transpirei
nunca senti
nunca toquei
nunca ouvi
nunca cheirei
nunca vivi
tudo neguei
nada consenti
tudo nao sei
tudo perdi.

sábado, fevereiro 04, 2006

Estas tardes de sol apetecível para (quase) toda a gente

O sol brilha lá fora, é cedo. Estou com sono.
Podia sair, divagar algures sem medo de pensar e compensar o que há muito me falta: "...?"
Também podia ficar, trancar-me e simplesmente nao pensar.
Vou talvez permanecer no interrogo, a meio caminho de tantas coisas que já prometi a mim mesmo.
Alhear-me de qualquer compromisso para com esse futuro próximo, tao distante.
Esta tarde de sol apetecivel para (quase) toda a gente consome-me recursos de que nao preciso, silenciosamente.
Levanto-me e estou mais fraco, caminho e pesam-me as pernas, a mente.
Abdicando ou nao da inércia, extingo-me.
Como uma maré na fotoesfera, que sobe e desce...
apenas para se evaporar.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Só, nao.

Só nao me quero só.
Um dia arremesso a minha vida
no outro busco-me
Somos assim..

domingo, janeiro 15, 2006

O momento é bem melhor que o seguimento.

domingo, janeiro 08, 2006

Falta-me sonhar

O alvoroço de uma noite sem lua
O pavor de um dia sem sol
O impossivel de uma praia sem maré
É a tristeza destes olhos sem sonhos.
Vá meu amigo
Bebe deste calice perdido.
Brinda, sorri
Perpétua essa alegria comigo.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Dar tempo ao tempo

Se choro
nem sempre quero alguém para limpar as minhas lágrimas.
Deixo escorrer cara abaixo..
até que sinta o meu pescoço
E escorre pelo meu peito
diminuindo-se
deixando toda a mágoa na minha pele
evaporando-se neste ar fatigado.
Pode até percorrer-me
escorrendo infinitamente pelo meu corpo
sem que alguém lhe toque
sem que alguém sequer note.
E o eco provocado
por tal gota de incertezas
é capaz de me acordar
ou de me deitar ao chao.
E porque nao?
As vezes faz bem sentir tristeza no seu todo
para mais tarde ser feliz.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Deram-me a ler, e gostei

"Eu faço o que me e proprio e tu o que te e proprio.
Nao estou neste mundo para satisfazer as tuas expectativas,
e tu nao estas neste mundo para satisfazer as minhas.
Tu es tu e eu sou eu.
E, se eventualmente nos encontrarmos, e maravilhoso.
Se nao, nao tem remedio."

Fritz Perls

domingo, novembro 20, 2005

As she fell sleep

As she falls asleep tonight
her soul never felt so good
so kindly removed
from the world that took away her innocence
and arrested her little girl.
She'll keep on strugling to save her
a simple smile on a toy shop,
from fields she never saw.
Feelings that go all the way in
through a lost narrow window
getting narrower
moving around in the dark
getting narrower
too narrow to care.
She'll grow to bare it, she'll fool her self to forget it.
As she falls asleep tonight
her little girl whispers stories that never hapenned
shows her memories she wishes she had
softly drawing a dream.
One kind delicade hand
holding a precious lost pencil
through a narrow narrow window.
Almost too narrow to whisper:
"The silence that hurts so much brings a tear, you see?
Cause now it's not here for you to just be."
She cries,
holds her pillow to let go
staring at the wall for a blank end of story.
As she fell asleep tonight
she took back some thoughts, some moments in time
that for long stood behind in a shelf
like lost sentences in a rhyme.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Inocencia

Já nao passo em campo verde
Já nao caminho sobre terras batidas de incerteza,
sobre caminhos sem rumo, com objectivos sem direcçao.
Já nao encaro a mudança com indiferença, sem forçar optimismo.
Já nao sou senhor de mim, e do meu casulo; quero saber, interessa-me.. destrói-me.
Nao quero saber! Nao me interessa!
Nao quero ver, perceber e assimilar!
Volta inocencia, estou farto.

Quero tocar orquideas e doer, sem saber.
Quero assistir a discussoes e rir-me do tom de voz, da exaltaçao, sem tomar atençao.
Quero morrer e voltar a ser.
Quero provar que a vida nao é sentir um gostinho do bom, e continuar por continuar, onde o combustível é a recordaçao, do que um dia foi, pois o que será pode ser bom, mas nunca tao puro!

Já nao finto para dar nas vistas
Já nao sinto somente quando realmente sinto.

Quero voltar.
Já nao volto, já nao posso.
Está longe, está atrás e afinal de contas, é-nos suposto olhar em frente.
Mas a recordaçao nao mente.
E é ela que devo desprezar, e nao a minha vida.. o que posso criar.

Foram dias de verdadeira alegria, da mais pura.
Que os miudos hoje em dia nunca vao conhecer..
Porque nao montam fisgas, "sacam" jogos.
Porque nao jogam spectrum sentados com os seus amigos (jogam online com os seus conhecidos)
Porque nao esmurraçam o parvo, ameaçam virtualmente quem pensam ser parvo.

e por tudo isto, nunca serao..
aquilo que eu queria voltar a ser.

e por tudo isto, nunca seremos..
a continuidade do que hoje somos.

Os tempos mudam, e mudarao..
E de geraçao em geraçao, poderá haver conversa
mas nunca comunicaçao.

E tudo isto, reflectindo sobre a inocencia. Sobre a minha obcessao por te-la de volta, ainda assim com a infeliz certeza que essa inocencia que eu conheci, aquela que eu possuí, jamais será sentida.
Talvez recordada e ambicionada,
como que uma geraçao reconhecendo que cresceu da melhor forma,
onde residia o mais puro do pensamento
que se foi degradando;

Corrompido pela nossa mais arisca capacidade de tornar complexo o mais simples.
Só quero olhar 'a volta,
e reconhecendo ou associando ao que nao interessa, desconhecer.
Só quero olhar 'a volta,
percorrido por aquela sensaçao miudinha, e sorrir.

segunda-feira, agosto 09, 2004

Dia a dia
minuto a minuto
segundo a segundo
partido ao meio
em metade que cai e diz nao ao mar.
Metade que dobra.
Quero ser sério sem deixar de sonhar
a cada minuto e a cada segundo.
Num dia dobra-se o mundo.