quarta-feira, outubro 12, 2011

Viagens

Levanta-te.
Quando o tapete está cheio de cacos, recolhe.
Divide, identifica.
Cada um deles, reconhece.

Compra x bilhetes quantos cacos encontraste.

- cycle -

Viaja.
Confronta e interioriza.
Vive.

- end cycle -

Respira fundo.
Soube bem?

Evita.

quarta-feira, outubro 05, 2011

Um pequeno pedaço de mim

Se a vida é tão pequena
E se somos o que a vida é.
É sem dúvidas que exclamo
E minhas posses então derramo
Já não aguento estar de pé.

Os padrões foram mudando
Desde que fui ensinado.
O possível era tudo
quase tudo, desde miúdo
Pois então fui enganado!

Afinal eu só cresci
Entre tempos atribulados.
Não me cuidei nem entendi
Que devia fazer por mim
Neste mar de "desenrascados".

Talvez seja tarde demais
Ver as coisas de outro modo.
Pois sou burro bem teimoso
Por outro lado, sou cauteloso
E no "não sei" me acomodo.

Perdi-me algures por aí
e onde não sei dizer.
Não sei que peles vesti,
Nem que demónios acolhi
Só sei que não sei viver.

Que o futuro me esclareça
Pois o presente não o faz.
E quem sabe eu talvez mereça
Felicidade e talvez me esqueça
do passado que está lá atrás.

Estas rimas não me escrevem
Nem nunca me consegui escrever.
A morte é o que todos temem
Pois eu canto, enquanto tremem
Que doer é não viver.

quarta-feira, agosto 10, 2011

O Tempo Já Passou (2007)

O tempo já passou
Horas, minutos e até fracções.
Todos iguais
exageradamente inócuos.
Passo na rua disfarçado de um ser que não sofre,
que não vive e somente se degrada.
Vou passando ansiando diferente sorte
sem que o tempo ou suas malícias se dignem a sussurrar
enaltecendo uma qualquer sinapse que me faça sentir.

Engulo poções etilenas em porções pequenas
de antídoto para a existência.

Anos, meses e até dias
todos iguais.
Monótonos e fatais.
Incutem-me a mais decidida vontade de
esperar uma só hora para ver
e decidir...
se vale a pena ficar
ou partir.

Décadas, séculos e até milénios...
Novos universos criados.
O tempo deixou de ser meu amigo,
passei por ele e não lhe falei.
O tempo brincou comigo
e eu simplesmente parei...
e não brinquei.

terça-feira, junho 14, 2011

Acordo e adormeço.
Acordo e adormeço...

Nem acordado nem a dormir
vou inalando este ar pesado.

domingo, junho 12, 2011

Luto por um pequeno lugar..
bem nosso no meio do fosso.
deste país entregue à merda, desta merda entregue ao moço.
este moço não sabe como, talvez ninguém saiba até. mas anda tudo tão ofuscado, que até votam por recado, só para largar o zé.
e nem sabem no que se enfiam, nem se atrevem nem se aliam
às tretas que por aí andam.
haja fé, haja vontade
de mudança sem barbaridade
numa flecha sobre um coelho.

domingo, maio 08, 2011

Nunca sabemos

Nunca sabemos o que queremos,
ou quando sabemos
não podemos.

Nunca queremos o que
realmente precisamos.
Ou pelo menos não
agora, não assim.

Nunca sabemos o que somos
até nos dizerem ou
chamarem a atenção,
ou pararmos e
olharmos o coração.

Nunca vivemos o presente.
Vivem os outros
na ideia que têm de nós.

segunda-feira, abril 25, 2011

Se

Se eu morrer entretanto...
Esperem o sol
ou a chuva, relâmpagos
ou um vento quente.

Libertem o choro
e leve sorriso.
Mas libertem.

Nunca me usem
para deixar de viver.

Amo o espaço onde me deixaram livre.
Se por mim surgirem jaulas,
jamais terei um nome.

domingo, abril 24, 2011

Hoje

Hoje visitei um amigo
perdido no tempo.
Sorri e soltei
palavras ao vento.

Hoje visitei um amigo
e achei um espelho.
Chorei como jovem
e olhei um velho.

Hoje visitei um amigo
passado e enterrado
Que me disse "Adeus,
não fiques preocupado."

Mas não estou.
Hoje digo-te adeus, irmão.
Descansa em paz.

Passo a palavra

Passo a palavra
a quem, por ventura, souber definir o amor.
Ou explicar? Sem demasiado rodeio,
analogia ridícula ou serpenteado.

Passo a palavra
a quem, por experiência, souber acreditar no amor.
Ou exemplificar? Sem excessiva fantasia,
sem um mundo perdido, caído na ilusão.

Passo a palavra.
E grita hoje pois os segundos contam.

Grita já
Porque vale a pena!
E passo a vós esta palavra
que para mim já caducou.

Não há regra no amor,
apenas improviso.
Melódico é o fim.

quinta-feira, abril 21, 2011

Formas de expressão

Uma virgula, pensei eu
Três pontos, no máximo.
Afirmação seguida de ponto final!

Uma metáfora? Um paralelismo ou antítese?
Como?
Não foste mais que três pontos e uma vírgula,
quanto muito.

Já sei,
Vivemos num eufemismo!
Eu sei, querida, eu sei.

As tuas palavras?
Uma hipérbole da realidade
Rasgada em mil pedaços.

Vou-me embora.
Que sabes tu?
Limpo o resto das folhas que só caem hoje, porque é Primavera.

Perifrasicamente arrasto os pés.

Por ti, até o mundo movia.
Só hoje, porque é Primavera.

sábado, março 19, 2011

Só o ar que respiro...

Só o ar que respiro...
Me rodeia.
Só resta a minha aura.
Que encolhe, a cada passo e
A cada decisão.
Que mingua em cada esquina e
Em cada encontro.

Só o ar que respiro...
Me deixa vivo.
Não encontro oxigénio em nada mais.
Nas pequenas coisas
que anseio dia após dia tal miúdo perto do Natal.

Só o ar que respiro.
E nada mais!

Encolhe e mingua e encolhe e reduz
drasticamente sem razão.
Chamam-lhe auto-estima pois bem
eu chamo-lhe coração.

Encolhe e mingua
drasticamente sem razão.

E passa, pois passa
O tempo sem pedir licença.
Eu espero, não me meto
Aguardo, não me intrometo
Na minha própria vida.

Só o ar que respiro...
vai esperando por mim.
Só mesmo o ar que paira
porque precisa de ser inalado.
Porque precisa...

Porque precisa...

Nada espera se não precisar.
Mas não me apetece agarrar
tudo.
Tenho medo de não querer
nada.

Tenho medo.
Não consigo.
Talvez consiga.
Mas não me apetece provar,
e não querer.
Não me apetece deitar fora.
Não me apetece desperdiçar.

Estou perdido
e só o ar que respiro
me é conveniente.
Me suporta.

Vivo sustentadamente.
Com o ar e nada mais.
Porque é mais fácil.

Sem o interno resolvido
o externo é só fachada.
Prefiro então abdicar
gostar e deixar estar
não pegar e simular
em vez disso só respirar.

Só o ar que respiro
me pertence.
Tudo o resto são sonhos
que um dia serão meus.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

15 de Fevereiro de 2011.

15 de Fevereiro de 2011.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Sunday bloody sunday.

domingo, fevereiro 13, 2011

shut up and drive

shut up and drive. far, far away.
don't make a sound, just drive.
no whispers, no nothing!
don't share, just drive, shut up and drive.

make it pure, this moment.
make it simple.
make it yours not ours.
share the air and nothing else...

shut up and drive
far, far away.

don't make a sound
not even a whisper.
'cause I don't care.
I don't care...

sábado, janeiro 22, 2011

Encontra-se o calor necessário à subsistência no louco timbre do saxofone.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Seja, meu amigo. Seja.

O ópio legitimou Pessoa,
a angústia legitima qualquer um.

Acho bem que haja, hoje em dia, um grupo de pessoas munido de uma espingarda mental, pertinente e reaccionária!
Mas desde quando ser reaccionário é crime?
Aprende-se na televisão que falar alto e criticar regimes é coisa de comunista, gajo estranho com segundas intenções!
Mas quem vos deu o direito de rotular as pessoas assim?
Quem foi que no seu perfeito juízo vos deu voz para poderem proferir tais parvoíces?
E em relação aos vossos juízos de valor tenho-vos a mandar para o caralho! E ora nem mais, nem menos. Porque não sou menino de palavra curta ou acanhada.
Então mas quem é que você julga que é para continuar a compactuar com um regime elitista, injusto e idiota, e ainda me criticar no seu tempo livre?
Ganhe vergonha na cara! Coexista de uma forma sustentável com o próximo. Não gaste todo o seu tempo livre na idiótica busca da eternidade espiritual que é, ao ver do ser humano do século 21, o seu nome estampado numa qualquer revista ou jornal.
Ganhe civismo!
Ganhe vida no respeito pela vida dos outros!
Ganhe principios.
Ganhe, acima de tudo, sempre que os outros ganham. Não seja lanzão. Não seja parvo, mediocre e egocentrico.
Seja aquilo que é e não aquilo que o fazem ser, todos os dias, na rua e na televisão.

Seja.

domingo, novembro 21, 2010

sim

não. sim

Joãozinho

O Joãozinho está na paragem do autocarro e esqueceu-se do iPhone em casa, então põe-se a pensar:

"Antigamente diziam que a NATO era um grupo de rapazes abrutalhados que lanchavam na casa do Jorge Buchas mas geralmente seguiam um tal de Zé.
O Zé nunca aparecia pà xinxada, porra!
Agora em Novembro vêm-me dizer que afinal o Zé tá em casa de castigo (e sem telemóvel) e quem manda é um pretinho da rua do Jorge, cromo como ele mas mais bem parecido.
Aposto que tem mais cabecinha!
A minha mana, que geralmente nem se mete nestas tretas, já me disse que esse tipo afinal de contas também tem a mania. Que fala mais baixo mas diz as mesmas coisas.
Pff daquela rua já 'tava à espera!
Os meus amigos hoje foram todos para a rua a ver se faziam a folha ao gajo... com cartazes e tudo!
Eu, por outro lado, só gostava de saber porque não boicotam a rua deles.
- Que rua?
- A rua do cabecilha.
- Mas boicotar o que?
Nem é as gomas que eles vendem pq até saco mais barato nos chineses. É mais o espectáculo que eles dão.
Epá epá, deixem-me só dar um peidinho amigável. Pronto. Se eu deixar de os ver, eles deixam de ter significado.
Os meus amigos vão perguntar pq é que já não vou ao MacDonalds ou pq é que já não ouço a Shakira. Porra. Hmmm
Já sei. Eu vou-lhes dizer que já não faço essas coisas pq comecei a gostar de mim. Sei lá, cresci rápido e só quero ser gordo e ter doenças do foro mental mais lá pá frente, quando tiver 60.
Tá feito..."

O autocarro chegou.

sábado, outubro 23, 2010

A NOÇÃO DE NÃO TER O QUE SE TEM REALMENTE NOÇÃO É A MAIS LIBERTADORA NOÇÃO QUE SE PODE REALMENTE TER.

Porque olho

Porque olho para ti e não vejo,
Sou agredido e não sinto.
Porque sussurras e não ouço
e toco mas não te palpo.

Porque a espera costuma doer.
Mas só dói quando se sente
Ou se percebe realmente.

Porque sinto mas não reajo
E não reajo porque me perco...

Demasiado nesta frase
Demasiado nesta vida!

Porque um dia tentei sonhar
era puto e não sabia
que talvez fosse mais fácil
Estar acordado e ignorar
Perder-me sem acordar

Para a vida,
e morte,
ou qualquer coisa entretanto.