Há dias que não são dias
até são anos.
Há horas que são minutos
e segundos estações inteiras.
Sentimos o frio e o calor tudo de uma só vez
sem notar o contraste e
o propósito que os fez.
Há tempos e tempo
que não sabemos explicar
e é por tal que até me atrevo
a afirmar sem hesitar...
que foi o tempo que nos fez tristes
que foi o tempo que nos fez pensar.
São temporadas de repouso
e momentos de agonia.
O tempo é só um tempo,
mas há tempos em demasia.
penso, analiso, concluo, repenso, analiso metodicamente, volto a concluir, conformo-me, relembro, remoo em vez de analisar, volto a concluir, altero a percepçao desta multipla realidade..
quinta-feira, junho 18, 2009
terça-feira, abril 07, 2009
sexta-feira, janeiro 30, 2009
De volta
Após um longo interregno eis que reapareço das cinzas.
E em bom tempo o fiz meus caros, pois só com este intervalo me apercebi que não consigo subsistir sem escrever. Eu preciso de escrever, ainda que com o decorrer dos anos vá perdendo a magia que me fez apaixonar pelas letras - a inocência.
E perguntam-me vocês, poucas almas que ainda visitam este recanto: "Que tens andado a fazer?"
Muito de algo e nada de pouco.
Conheci uma jovem donzela que conseguiu retirar esta pobre alma da inércia rotineira e geral descontentamento mundano. Uma jovem donzela cuja simplicidade me cativou e cuja alegria desferiu o golpe final na minha queda para o abismo chamado viver. Uma jovem donzela que espelhava o que eu já fui e que guardo, numa pequena caixa, para mais tarde voltar a ser. Uma jovem donzela que afinal revelou ser...
A real miragem. O verdadeiro pedaço de ficção - desilusão.
Assim que as camadas de pele caem, tal cobra estação após estação, revelam-se a falta de tolerância e banalidade de todos nós.
E seremos sempre o que fomos até então, pouco mudamos e pouco nos adaptamos se não for pela mono-sobrevivência. Do eu singular e não do Eu enquanto humanidade.
E mesmo quando o fazemos numa rara excepção à regra, temos a profunda certeza que algo de bom recairá sobre o eu, onde o instinto predomina, instinto esse que adjunto às faculdades de um ser tão capaz, é fatal. É canibal.
Devaneios à parte, estou de volta. A jovem donzela já passou, e eu? Cá estou. Firme e hirto e
menos insano.
Prometo escrever. Muita poesia...
Em breve. Muito em breve...
E em bom tempo o fiz meus caros, pois só com este intervalo me apercebi que não consigo subsistir sem escrever. Eu preciso de escrever, ainda que com o decorrer dos anos vá perdendo a magia que me fez apaixonar pelas letras - a inocência.
E perguntam-me vocês, poucas almas que ainda visitam este recanto: "Que tens andado a fazer?"
Muito de algo e nada de pouco.
Conheci uma jovem donzela que conseguiu retirar esta pobre alma da inércia rotineira e geral descontentamento mundano. Uma jovem donzela cuja simplicidade me cativou e cuja alegria desferiu o golpe final na minha queda para o abismo chamado viver. Uma jovem donzela que espelhava o que eu já fui e que guardo, numa pequena caixa, para mais tarde voltar a ser. Uma jovem donzela que afinal revelou ser...
A real miragem. O verdadeiro pedaço de ficção - desilusão.
Assim que as camadas de pele caem, tal cobra estação após estação, revelam-se a falta de tolerância e banalidade de todos nós.
E seremos sempre o que fomos até então, pouco mudamos e pouco nos adaptamos se não for pela mono-sobrevivência. Do eu singular e não do Eu enquanto humanidade.
E mesmo quando o fazemos numa rara excepção à regra, temos a profunda certeza que algo de bom recairá sobre o eu, onde o instinto predomina, instinto esse que adjunto às faculdades de um ser tão capaz, é fatal. É canibal.
Devaneios à parte, estou de volta. A jovem donzela já passou, e eu? Cá estou. Firme e hirto e
menos insano.
Prometo escrever. Muita poesia...
Em breve. Muito em breve...
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Lágrimas sobre a máquina de escrever
E outras teimosias dos olhos.
Vertem em repetição num tempo só seu
Enclausurando o espaço
A energia
O ar.
O tempo lá fora parou.
Por aqui formam-se borrões em palavras gastas
Acções e reacções.
Vertem-se as gotas, turvam-se as letras e
Os pontos e todas as vírgulas da vida.
O tempo lá fora parou.
O momento é aqui nesta redoma de silêncio.
Tic tac
Parou.
O momento é aqui neste sufrágio pendente.
Tic tac
Parou.
O papel embrulha-se e foge da chuva
Sangra e desfigura-se.
E o som é tão repetitivo
Que as lágrimas não caem,
Transbordam
Em tempestade de verão.
Quando tudo pode ser bom
É o mal que me diz olá.
O tempo lá fora parou.
E outras teimosias dos olhos.
Vertem em repetição num tempo só seu
Enclausurando o espaço
A energia
O ar.
O tempo lá fora parou.
Por aqui formam-se borrões em palavras gastas
Acções e reacções.
Vertem-se as gotas, turvam-se as letras e
Os pontos e todas as vírgulas da vida.
O tempo lá fora parou.
O momento é aqui nesta redoma de silêncio.
Tic tac
Parou.
O momento é aqui neste sufrágio pendente.
Tic tac
Parou.
O papel embrulha-se e foge da chuva
Sangra e desfigura-se.
E o som é tão repetitivo
Que as lágrimas não caem,
Transbordam
Em tempestade de verão.
Quando tudo pode ser bom
É o mal que me diz olá.
O tempo lá fora parou.
quarta-feira, novembro 14, 2007
O tempo já passou
Horas, minutos e até fracções.
Todos iguais
exageradamente inócuos.
Passo na rua disfarçado de um ser que não sofre,
que não vive e somente se degrada.
Vou passando ansiando diferente sorte
sem que o tempo ou suas malícias se dignem a sussurrar
enaltecendo uma qualquer sinapse que me faça sentir.
Engulo poções etilenas em porções pequenas
de antídoto para a existência.
Anos, meses e até dias
todos iguais.
Monótonos e fatais.
Incutem-me a mais decidida vontade de
esperar uma só hora para ver
e decidir...
se vale a pena ficar
ou partir.
Décadas, séculos e até milénios...
Novos universos criados.
O tempo deixou de ser meu amigo,
passei por ele e não lhe falei.
O tempo brincou comigo
e eu simplesmente parei...
e não brinquei.
Todos iguais
exageradamente inócuos.
Passo na rua disfarçado de um ser que não sofre,
que não vive e somente se degrada.
Vou passando ansiando diferente sorte
sem que o tempo ou suas malícias se dignem a sussurrar
enaltecendo uma qualquer sinapse que me faça sentir.
Engulo poções etilenas em porções pequenas
de antídoto para a existência.
Anos, meses e até dias
todos iguais.
Monótonos e fatais.
Incutem-me a mais decidida vontade de
esperar uma só hora para ver
e decidir...
se vale a pena ficar
ou partir.
Décadas, séculos e até milénios...
Novos universos criados.
O tempo deixou de ser meu amigo,
passei por ele e não lhe falei.
O tempo brincou comigo
e eu simplesmente parei...
e não brinquei.
sábado, junho 30, 2007
terça-feira, junho 26, 2007
Carrossel
Foi só uma sopa primordial
A origem segundo dizem, segundo contaram.
Era o pequeno almoço de mais um dia sangrento.
O inferno resumido ao momento.
Vomitou-se o Homem
depois do seu redor - Comido e cuspido.
O corpo cresceu
A mente apodreceu
De doença, de descrença
De saudade da inocência,
De tanto seres tu ou eu
Ou ele
Ou a segunda pessoa do plural.
Os ossos quebram
A carne sangra e
A mente desfalece.
O jantar está na mesa mas alguém chora lá fora
No alpendre já demolido
Pelos rugidos de lobos intemporais, que somos
Quando já não queremos ser,
Ou andar no carrossel. Enjoa, enoja. Vomita-se o Homem.
As folhas caem no Outono
E hoje, só hoje.
Abatidos todos os seres que o destino ditou
Hoje e enquanto o destino ditar.
Amanhã são vários dias
E talvez o Outono.
As folhas vão pairar
Imóveis face ao cheiro da ditadura;
Do ter de ser, do ter de estar...
Assim.
Tudo vai permanecer
Tudo vai recomeçar.
O antes e o agora
E o depois talvez não queiram ser
Ou estar.
Foi só uma sopa primordial...
(E o resto permanece quase imóvel.
O Tempo faz-nos pequenos, ao hOMEM.)
A origem segundo dizem, segundo contaram.
Era o pequeno almoço de mais um dia sangrento.
O inferno resumido ao momento.
Vomitou-se o Homem
depois do seu redor - Comido e cuspido.
O corpo cresceu
A mente apodreceu
De doença, de descrença
De saudade da inocência,
De tanto seres tu ou eu
Ou ele
Ou a segunda pessoa do plural.
Os ossos quebram
A carne sangra e
A mente desfalece.
O jantar está na mesa mas alguém chora lá fora
No alpendre já demolido
Pelos rugidos de lobos intemporais, que somos
Quando já não queremos ser,
Ou andar no carrossel. Enjoa, enoja. Vomita-se o Homem.
As folhas caem no Outono
E hoje, só hoje.
Abatidos todos os seres que o destino ditou
Hoje e enquanto o destino ditar.
Amanhã são vários dias
E talvez o Outono.
As folhas vão pairar
Imóveis face ao cheiro da ditadura;
Do ter de ser, do ter de estar...
Assim.
Tudo vai permanecer
Tudo vai recomeçar.
O antes e o agora
E o depois talvez não queiram ser
Ou estar.
Foi só uma sopa primordial...
(E o resto permanece quase imóvel.
O Tempo faz-nos pequenos, ao hOMEM.)
sábado, junho 09, 2007
Morrer onde não quis ter nascido
Esta forma de estar é desconcertante.
Saberei eu o que é importante?
Viver ou guardar na memória
O calor do que já vivi?
Morrer talvez agora, só se for neste momento
neste auge do meu tormento.
Porque odeio toda a gente
quero amar quem não sei
percorra eu ruas ou galáxias seja
quem me dói ou me desdém.
Porque odeio e não suporto
nem a mim nem a ninguém.
Só eu sei o que não quero saber
Ou prolongar.
Só eu sei que o Passado me foi...
luz
Que o Passado me é
fado.
Tudo fluia e agora pergunto-me:
A que foz fui dar?
Não sei nadar nestas
Águas estagnadas saturadas
Ora quentes ora frias;
Nestes mesmos quatro cantos
Ou mar onde morro e onde não sei
ser salmão, e escapar;
Remar e remar corrente acima
E morrer onde nasci.
Saberei eu o que é importante?
Viver ou guardar na memória
O calor do que já vivi?
Morrer talvez agora, só se for neste momento
neste auge do meu tormento.
Porque odeio toda a gente
quero amar quem não sei
percorra eu ruas ou galáxias seja
quem me dói ou me desdém.
Porque odeio e não suporto
nem a mim nem a ninguém.
Só eu sei o que não quero saber
Ou prolongar.
Só eu sei que o Passado me foi...
luz
Que o Passado me é
fado.
Tudo fluia e agora pergunto-me:
A que foz fui dar?
Não sei nadar nestas
Águas estagnadas saturadas
Ora quentes ora frias;
Nestes mesmos quatro cantos
Ou mar onde morro e onde não sei
ser salmão, e escapar;
Remar e remar corrente acima
E morrer onde nasci.
Deformado
Deformado
Sempre que estou
Ora assim
Ora assado.
Sempre que vou
Para outro lugar
Qualquer;
Me afasto
Do presente
Que não sente
Que só mente.
Atrasado
Inconformado.
Enfim adjectivado.
Só porque me afasto
Deste presente
Inevitavelmente apagado.
Às vezes dou por mim
Não em mim
Mas no despertar imposto
Só porque por vezes não estou
Ou não quero acordar.
Sou de carne e osso
E nunca parecendo, provido
do sentir, demasiado.
Entende?
O senhor que abana a cabeça
E finge que nao compreende.
Não entende?
Não faço questão de lho explicar
talvez com analogias do canal panda
ou uma apresentação formal com slides.
Não faço.
Incompreendido?
Talvez não.
Intolerável?
Sem dúvida. Porque não entende
Ou porque não aceita.
Olhe à volta: nem todos têm de ser imbecis.
O efeito de rotação do mundo compreende
Uns quantos milhares de quilometros.
Nunca o perimetro da chouriçada
Que abasta a sua barriga.
Reis na pança, com uma enorme capacidade de atracção
sob corpos celestes à deriva:
Este mundo;
Esta Terra em tempos nativa.
Sempre que estou
Ora assim
Ora assado.
Sempre que vou
Para outro lugar
Qualquer;
Me afasto
Do presente
Que não sente
Que só mente.
Atrasado
Inconformado.
Enfim adjectivado.
Só porque me afasto
Deste presente
Inevitavelmente apagado.
Às vezes dou por mim
Não em mim
Mas no despertar imposto
Só porque por vezes não estou
Ou não quero acordar.
Sou de carne e osso
E nunca parecendo, provido
do sentir, demasiado.
Entende?
O senhor que abana a cabeça
E finge que nao compreende.
Não entende?
Não faço questão de lho explicar
talvez com analogias do canal panda
ou uma apresentação formal com slides.
Não faço.
Incompreendido?
Talvez não.
Intolerável?
Sem dúvida. Porque não entende
Ou porque não aceita.
Olhe à volta: nem todos têm de ser imbecis.
O efeito de rotação do mundo compreende
Uns quantos milhares de quilometros.
Nunca o perimetro da chouriçada
Que abasta a sua barriga.
Reis na pança, com uma enorme capacidade de atracção
sob corpos celestes à deriva:
Este mundo;
Esta Terra em tempos nativa.
Conta-me como foi
Conta-me como foi
Antes do tempo que fez o tempo,
Este Tempo.
Conta-me o que foi
Que calou a terra e abafou o vento.
Oh tempo oh tempo, volta para trás
Para me contares tu como foi, o que foi
Que deixou as gentes (sem vontade) sem alento,
Com ansia de sofrimento e
Desdenho pelo que apraz.
Antes do tempo que fez o tempo,
Este Tempo.
Conta-me o que foi
Que calou a terra e abafou o vento.
Oh tempo oh tempo, volta para trás
Para me contares tu como foi, o que foi
Que deixou as gentes (sem vontade) sem alento,
Com ansia de sofrimento e
Desdenho pelo que apraz.
A velha guarida do sol
A velha guarida do sol
Que mira paredes brancas, caiadas com vida;
A senhora de preto que aguarda o autocarro.
Vai à bica ou ao azeite
Vai por aí, cheia de calma. A viuvez só lhe trouxe o que Deus fez, diz.
Vive até não poder viver mais
E só chora pela saudade, ou pela vontade de ter ido antes;
Não pela morte e nunca pela vida.
As vinhas que podem até nem dar vinho
Dão sombra aos que brincam descalços,
E descalços por aí vão.
Monte acima monte abaixo
No verde que também dita a mente e
Os rios gelados que abraçam as gentes.
E todos os lugares distantes
onde se soube crescer
que talvez ainda existam.
Que mira paredes brancas, caiadas com vida;
A senhora de preto que aguarda o autocarro.
Vai à bica ou ao azeite
Vai por aí, cheia de calma. A viuvez só lhe trouxe o que Deus fez, diz.
Vive até não poder viver mais
E só chora pela saudade, ou pela vontade de ter ido antes;
Não pela morte e nunca pela vida.
As vinhas que podem até nem dar vinho
Dão sombra aos que brincam descalços,
E descalços por aí vão.
Monte acima monte abaixo
No verde que também dita a mente e
Os rios gelados que abraçam as gentes.
E todos os lugares distantes
onde se soube crescer
que talvez ainda existam.
quinta-feira, março 15, 2007
Forma de lidar
cigarro e
fumo.
vela que arde e
seu prumo.
tons de querer.
agonia sem
rumo.
esperança e
pouco depois
um corte fundo.
miséria e
maravilha.
a tristeza num
só dia.
copos vazios
consumidos.
invólucros de
necessidade.
já vazios.
consumo.
cigarro e
seu fumo.
arder e
esvaziar.
ser
aprender a estar.
velas e
fumos e
cortes profundos na
alma sem
rumo que quer
aprender a
ser.
a estar.
pouca vida.
inércia sentida.
esvaziar para
mais tarde
encher
e ficar.
inconfundivelmente
conscientemente
propositadamente...
forma de lidar.
terça-feira, fevereiro 27, 2007
Hell
In hell there's no flowers to make you smile,
no tears to make you cry,
no light to make you see,
no knives to make you bleed.
In hell there's no dark to make you sleep,
no bruises to make you remind.
Hell is absence. Hell is here.
F
no tears to make you cry,
no light to make you see,
no knives to make you bleed.
In hell there's no dark to make you sleep,
no bruises to make you remind.
Hell is absence. Hell is here.
F
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Implosao
E o pouco que já tenho
quero diminuir.
Reduzir-me.
Limitar-me atingindo o nulo.
Encurtar.
Absorvo mas tento manter.
Dieta de alma
para nao crescer.
Encolho,
reduzindo.
Impludo, até nao ser.
quero diminuir.
Reduzir-me.
Limitar-me atingindo o nulo.
Encurtar.
Absorvo mas tento manter.
Dieta de alma
para nao crescer.
Encolho,
reduzindo.
Impludo, até nao ser.
Janeiro
Pobre podre Janeiro, em vã esperança que oferece.
Sopra vento de mudança, que em fraco fôlego desvanece.
Brisas lacónicas e inócuas, formais. Sem sumo.
Sem novas que incutam rumo.
És falso Janeiro, de ilusão carregado.
Nesta aragem até Fevereiro
há saldos na alma também.
(A esperança empurra mas também pode deitar ao chão.)
Sopra vento de mudança, que em fraco fôlego desvanece.
Brisas lacónicas e inócuas, formais. Sem sumo.
Sem novas que incutam rumo.
És falso Janeiro, de ilusão carregado.
Nesta aragem até Fevereiro
há saldos na alma também.
(A esperança empurra mas também pode deitar ao chão.)
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Divagar
Divagar é vomitar metaforicamente as necessidades ora de um cérebro saturado, ora dum coraçao inchado.
Equaçao diferencial de uma trombose repentina.
Um eco enorme tao pesado que me trespassa e ultrapassa.
Este estar que somos obrigados a aceitar, obrigaçao mascarada de anestesia.
A trovoada só deixa ouvir os surdos já que o sol nao encadeia os cegos.
Divagar é a minha noçao de estática mental, ao sobrepor
múltiplas realidades em mil folhas que saboreio, digiro e evacuo.
Físico aliviado engana o mental, ignorante estagnado.
Dia após dia, ser após ser
permanece nobre, anfetamina do pobre.
Embora fria nao sacia, contudo.
Paralisante, triste vagueio em círculo, entorpece a alma
em flecha pingada de ressaca por conclusao.
Nao é veneno
É pura divagaçao.
Equaçao diferencial de uma trombose repentina.
Um eco enorme tao pesado que me trespassa e ultrapassa.
Este estar que somos obrigados a aceitar, obrigaçao mascarada de anestesia.
A trovoada só deixa ouvir os surdos já que o sol nao encadeia os cegos.
Divagar é a minha noçao de estática mental, ao sobrepor
múltiplas realidades em mil folhas que saboreio, digiro e evacuo.
Físico aliviado engana o mental, ignorante estagnado.
Dia após dia, ser após ser
permanece nobre, anfetamina do pobre.
Embora fria nao sacia, contudo.
Paralisante, triste vagueio em círculo, entorpece a alma
em flecha pingada de ressaca por conclusao.
Nao é veneno
É pura divagaçao.
domingo, dezembro 31, 2006
Sobre a neblina
Os anos só passam quando nada fazemos por nós próprios, de resto vao passando.
(Temporadas de inércia e oportunidades dissipadas a custa de conformismo e carencia de zelo tendem a tatuar estas máximas na nossa mente, a projectar estas imagens mesmo a nossa frente. Tendem a acalorar de novo um coraçao já farto de arritmias, de inconstante prazer ora dor. A estabilizar, renovar. Nada surge por acaso, há infinitos quase invisiveis catalisadores no ar que respiramos, que num todo nos sufocam.
Mas achando o ideal, esse golo em panico de sede agoniante, breve brecha em nó desesperante, é extraordinário. Quase crepúsculo em despertante maresia de inocencia, que nao espraia, redescobre o mundo que nos rodeia, desta vez nao tao incógnito. [Tal qual criança rumo a escola, de meta entranhada no querer, absorvendo tudo no estar, todo um caminho que por ser infinito no poder, é de todos para explorar.]
É com ficticios devaneios crescentes divagaçoes que hoje me explico, em palavras que ditam uma recta quase circulo de erros e opçoes, raros sucessos, breves contentaçoes.
É com dor mas ao mesmo tempo prazer que grito neste sossego, tao próprio e tao meu, me ensino enquanto as palavras germinam, em harmonia. Tao próxima de fantasia.
É com surtas ilusoes que prevejo felicidade, e em surto sangue vivo o empreendimento da tao rara paz emocional.
Oponho-me aos meus principios ao lutar por um lugar ao sol, onde possa descansar enfim, e sangrar este ofego que me consome tao lentamente que quase nao doi. Maldito combustível de inércia.
E só me oponho porque me faltou acreditar, enquanto cresci, que é propicio ao ser humano espezinhar enquanto caminha, que é valor acrescido conceder que os outros sofram para vencer.
Eu venço na minha oposiçao. Venço em espirito. Ao acordar ou mesmo entre momentos, olhar o espelho e ver brilhar encandear uma orgulhosa réstea de inocencia, que nao estingue em mim. Esse teimoso catalisador de revoluçoes mentais, sociais e carnais.
Prevejo com tristeza o fim dessa nobre herança, que se ditou vulgar.
E tal como os peixes conquistaram a terra, nós abraçaremos a extinçao, de queixo bem erguido por pilares de arrogancia e inaptidao.
Observo, contribuo e aos poucos vou-me odiando, decrescendo, perdendo essa tao essencial condiçao humana.
Olho-me perdido e ofuscado no eterno momento que nada capta, deixando certezas para depois. Quem sabe nao será capricho.)
[Divagar é vomitar metaforicamente as necessidades ora de um cerebro saturado, ora dum coraçao inchado.
(...) Ou de algo tao pesado que me trespassa e ultrapassa. Este estar que somos obrigados a aceitar, esta obrigaçao mascarada de anestesia.]
(Temporadas de inércia e oportunidades dissipadas a custa de conformismo e carencia de zelo tendem a tatuar estas máximas na nossa mente, a projectar estas imagens mesmo a nossa frente. Tendem a acalorar de novo um coraçao já farto de arritmias, de inconstante prazer ora dor. A estabilizar, renovar. Nada surge por acaso, há infinitos quase invisiveis catalisadores no ar que respiramos, que num todo nos sufocam.
Mas achando o ideal, esse golo em panico de sede agoniante, breve brecha em nó desesperante, é extraordinário. Quase crepúsculo em despertante maresia de inocencia, que nao espraia, redescobre o mundo que nos rodeia, desta vez nao tao incógnito. [Tal qual criança rumo a escola, de meta entranhada no querer, absorvendo tudo no estar, todo um caminho que por ser infinito no poder, é de todos para explorar.]
É com ficticios devaneios crescentes divagaçoes que hoje me explico, em palavras que ditam uma recta quase circulo de erros e opçoes, raros sucessos, breves contentaçoes.
É com dor mas ao mesmo tempo prazer que grito neste sossego, tao próprio e tao meu, me ensino enquanto as palavras germinam, em harmonia. Tao próxima de fantasia.
É com surtas ilusoes que prevejo felicidade, e em surto sangue vivo o empreendimento da tao rara paz emocional.
Oponho-me aos meus principios ao lutar por um lugar ao sol, onde possa descansar enfim, e sangrar este ofego que me consome tao lentamente que quase nao doi. Maldito combustível de inércia.
E só me oponho porque me faltou acreditar, enquanto cresci, que é propicio ao ser humano espezinhar enquanto caminha, que é valor acrescido conceder que os outros sofram para vencer.
Eu venço na minha oposiçao. Venço em espirito. Ao acordar ou mesmo entre momentos, olhar o espelho e ver brilhar encandear uma orgulhosa réstea de inocencia, que nao estingue em mim. Esse teimoso catalisador de revoluçoes mentais, sociais e carnais.
Prevejo com tristeza o fim dessa nobre herança, que se ditou vulgar.
E tal como os peixes conquistaram a terra, nós abraçaremos a extinçao, de queixo bem erguido por pilares de arrogancia e inaptidao.
Observo, contribuo e aos poucos vou-me odiando, decrescendo, perdendo essa tao essencial condiçao humana.
Olho-me perdido e ofuscado no eterno momento que nada capta, deixando certezas para depois. Quem sabe nao será capricho.)
[Divagar é vomitar metaforicamente as necessidades ora de um cerebro saturado, ora dum coraçao inchado.
(...) Ou de algo tao pesado que me trespassa e ultrapassa. Este estar que somos obrigados a aceitar, esta obrigaçao mascarada de anestesia.]
sexta-feira, dezembro 29, 2006
Palavras?
Hoje olho, tento escrever
as rimas saem mudas com medo de aparecer.
Vivencias boémias que partilham
o mesmo mundo, as mesmas infâncias.
Cúmplices sao os olhares das mesmas instâncias.
(...)
(Se ao menos as palavras fossem dignas do furor que nos consome.)
as rimas saem mudas com medo de aparecer.
Vivencias boémias que partilham
o mesmo mundo, as mesmas infâncias.
Cúmplices sao os olhares das mesmas instâncias.
(...)
(Se ao menos as palavras fossem dignas do furor que nos consome.)
terça-feira, dezembro 05, 2006
Destino
A palavra é distorcida e fomenta conformaçao.
Implica que temos a vida traçada por um ente superior, denigre as nossas acçoes, inferiorizando-as:
As nossas opçoes sao fragmentos de um todo onde nao temos mao.
Num guiao já escrito, somos o improviso.
A meu ver, o destino implica apenas a vontade exterior:
Nós somos o que fazemos, o que escolhemos.
Mas se, de alguma forma, depender de terceiros, é a sua vontade que nos poderá estagnar.
Por outro lado, afirmar contundentemente que dependemos somente da nossa vontade é ir longe demais.
Nega a liberdade, evidencia necessidade de domínio. É-se possessivo, empreendedor de vontades alheias.
A ténue fronteira entre passividade e livre escolha delimita as vertentes da sociedade actual.
O destino é o que deixamos por conta dos outros, mas o excesso de liberdade dá azo ao caos.
Eu sou o que quero ser e me permitires ser, se para tal depender de ti.
Implica que temos a vida traçada por um ente superior, denigre as nossas acçoes, inferiorizando-as:
As nossas opçoes sao fragmentos de um todo onde nao temos mao.
Num guiao já escrito, somos o improviso.
A meu ver, o destino implica apenas a vontade exterior:
Nós somos o que fazemos, o que escolhemos.
Mas se, de alguma forma, depender de terceiros, é a sua vontade que nos poderá estagnar.
Por outro lado, afirmar contundentemente que dependemos somente da nossa vontade é ir longe demais.
Nega a liberdade, evidencia necessidade de domínio. É-se possessivo, empreendedor de vontades alheias.
A ténue fronteira entre passividade e livre escolha delimita as vertentes da sociedade actual.
O destino é o que deixamos por conta dos outros, mas o excesso de liberdade dá azo ao caos.
Eu sou o que quero ser e me permitires ser, se para tal depender de ti.
quarta-feira, novembro 29, 2006
Inociencia
Porque a inocencia já se afogou
Nao volto a falar de amor.
A volátil fragilidade da entrega
morreu em curtos compassos
de uma musica que foi aventura:
Onde em vez de nos descobrirmos
Alcançámos algo perto de amar
E quando hoje, queremos amar
Encontramos algo perto de ser.
Vivemos ao contrário
Quando o mundo é linha recta.
E agora, nao mais que um circulo
Testamos remendos, vendemo-nos ideias.
A saliva torna-se ácida e banal
simplória e sentimental.
Nao nos permitimos redescobrir, reinventar,
esquecer. Tudo se assemelha a algo
E nunca algo será o tudo.
Somos projectos cansados, batidos
Somos crianças vividas, sem paz.
Somos crosta de ferida mais ou menos
dolorosa, bem ou mal sarada,
mas somos.
Nao nos estamos a criar
Estamos apenas a descobrir a ler
da forma que fomos escritos
e finalmente a perceber
que o tempo já passou, ja findou
esse tempo de nos inventar.
("Deixa-te levar pela criança que foste" - José Saramago.)
(O coraçao é uma criança mal comportada
que já só pode brincar na rua
com supervisao do cérebro.)
Nao volto a falar de amor.
A volátil fragilidade da entrega
morreu em curtos compassos
de uma musica que foi aventura:
Onde em vez de nos descobrirmos
Alcançámos algo perto de amar
E quando hoje, queremos amar
Encontramos algo perto de ser.
Vivemos ao contrário
Quando o mundo é linha recta.
E agora, nao mais que um circulo
Testamos remendos, vendemo-nos ideias.
A saliva torna-se ácida e banal
simplória e sentimental.
Nao nos permitimos redescobrir, reinventar,
esquecer. Tudo se assemelha a algo
E nunca algo será o tudo.
Somos projectos cansados, batidos
Somos crianças vividas, sem paz.
Somos crosta de ferida mais ou menos
dolorosa, bem ou mal sarada,
mas somos.
Nao nos estamos a criar
Estamos apenas a descobrir a ler
da forma que fomos escritos
e finalmente a perceber
que o tempo já passou, ja findou
esse tempo de nos inventar.
("Deixa-te levar pela criança que foste" - José Saramago.)
(O coraçao é uma criança mal comportada
que já só pode brincar na rua
com supervisao do cérebro.)
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