Máquinas automatizadas, escravas conscięncias manipuladas neste mundo conflituoso.
Contagem decrescente para o dia desvinculativo, sem ter muito para contar quando, ŕ beira do leito final, relembramos os anos que demoraram até finalmente perceber que năo estamos cá para năo morrer, mas sim para arranjar uma razăo para o fazer, tranquilamente.. sorrindo.
Seres que procuram desesperadamente o conforto da certeza, da posse e sucesso, uma linha recta rumo ao fim que fingimos controlar e que teimamos em aceitar de bandeja, tal qual bom menino na noite de Natal.
Como um jogo 3D, vamos colecionando escudos e manhas, "truques da vida".. chamam-lhe.
Como um barco no oceano, teimamos em usar os remos quando a maré é suficiente, e năo cansa.
Nascemos uma coisa e morremos outra, estará certo? Como um pedaço de plasticina nas măos de um artista esquizofrenico, moldados ora assim, ora assado.
Somos alternativos, inventamos e criamos, somos inteligentes e calculistas, virtuosos e criativos, somos algo de extraordinario, algo que de tanto ser quase nada é.
Mas um dia chega ao fim esta experiencia a que chamamos vida, eu chamo-lhe um processo demorado de morte.. quase como acordar e passar o resto do dia a fazer a cama, fazendo horas para deitar.
Está na hora de esquecer a cama, sair e andar correr e cantar, está na hora de fazer alguma coisa sem pensar, e quando anoitecer.. e o cansaço chegar darás contigo na tua cama, e aí.. năo custa nada adormecer.
penso, analiso, concluo, repenso, analiso metodicamente, volto a concluir, conformo-me, relembro, remoo em vez de analisar, volto a concluir, altero a percepçao desta multipla realidade..
sábado, março 22, 2003
terça-feira, dezembro 10, 2002
Brilhar
Tăo tarde vem
e tăo cedo vai.
Um auge de conscięncia que proporciona a perfeita noçăo de nós.
Tudo explica e faz sentido,
tudo flui..
desde anagramas a ligaçőes moleculares,
desde o que te fez crescer ao que te faz mover,
todas as influęncias, memórias, impulsos num só segundo de conscięncia e percepçăo.
E mesmo assim mantens a tua rota..
apagas e acendes como um candeeiro fundido e
re-acendes, e mantens o brilho pela noite fora.
A noite brilha..
e brilha..
e mantem-se eterna para aquele que dela tudo espera.
Mas muito mais tarde, tarde demais para ter plena noçăo..
Amanhece,
brilhar jamais será necessario
ate ao seguinte fim de dia.
Analiso todos os circuitos,
revejo todas as rotinas,
para nessa noite que vem
brilhar com mais alguem.
e tăo cedo vai.
Um auge de conscięncia que proporciona a perfeita noçăo de nós.
Tudo explica e faz sentido,
tudo flui..
desde anagramas a ligaçőes moleculares,
desde o que te fez crescer ao que te faz mover,
todas as influęncias, memórias, impulsos num só segundo de conscięncia e percepçăo.
E mesmo assim mantens a tua rota..
apagas e acendes como um candeeiro fundido e
re-acendes, e mantens o brilho pela noite fora.
A noite brilha..
e brilha..
e mantem-se eterna para aquele que dela tudo espera.
Mas muito mais tarde, tarde demais para ter plena noçăo..
Amanhece,
brilhar jamais será necessario
ate ao seguinte fim de dia.
Analiso todos os circuitos,
revejo todas as rotinas,
para nessa noite que vem
brilhar com mais alguem.
sábado, novembro 30, 2002
quinta-feira, novembro 28, 2002
segunda-feira, novembro 25, 2002
domingo, novembro 24, 2002
sábado, novembro 23, 2002
Folha branca
A angustia de deixar uma folha em branco deixa-me doido.
Quero escrever, e escrever até que mais folhas năo hajam, e ai escreverei nas paredes, nos tectos, nos parapeitos e até na alma.
Quero traçar momentos e miragens, descrever paisagens.
Carimbar sorrisos e olhos ternos, emoçőes tristes que passam na rua.
Quero desenhar esta cidade que me rodeia com brilhos de tudo o que nela sinto, e muito mais.
Deslumbrar além do solo, além dos corpos, contemplar além da alma e além do céu, e escrever..
Escrever até mais năo poder, até que as folhas deixem de ser brancas para conter o tudo.
Que as paredes sejam estranhas pois brancas năo serăo, e todos os tectos e parapeitos.
E quando năo posso ou năo me permito é como que se morresse.
Năo imaginas,
Olhar-te nos olhos e saber, sem conseguir descrever..
Sentir a perfeiçăo pela janela e dizer adeus, esquecendo..
deixando as folhas brancas
folhas brancas, folhas lisas..
como a vida.
Quero escrever, e escrever até que mais folhas năo hajam, e ai escreverei nas paredes, nos tectos, nos parapeitos e até na alma.
Quero traçar momentos e miragens, descrever paisagens.
Carimbar sorrisos e olhos ternos, emoçőes tristes que passam na rua.
Quero desenhar esta cidade que me rodeia com brilhos de tudo o que nela sinto, e muito mais.
Deslumbrar além do solo, além dos corpos, contemplar além da alma e além do céu, e escrever..
Escrever até mais năo poder, até que as folhas deixem de ser brancas para conter o tudo.
Que as paredes sejam estranhas pois brancas năo serăo, e todos os tectos e parapeitos.
E quando năo posso ou năo me permito é como que se morresse.
Năo imaginas,
Olhar-te nos olhos e saber, sem conseguir descrever..
Sentir a perfeiçăo pela janela e dizer adeus, esquecendo..
deixando as folhas brancas
folhas brancas, folhas lisas..
como a vida.
segunda-feira, novembro 18, 2002
quinta-feira, novembro 14, 2002
O mar
Tenho fome
e tenho frio.
Queres que te conte o que o mar sentiu?
Riu-se de mim
mas com inveja,
porque a grandeza que dele provém năo mata a solidăo
e timido sussurrou:
- sabes, ja estou farto de dançar
- quero ser pequeno mas ao menos poder sonhar.
Prolonguei-me estendido nas vastas e solenes danças da maré,
e o mar năo sofre..
mas tambem năo ama.
e tenho frio.
Queres que te conte o que o mar sentiu?
Riu-se de mim
mas com inveja,
porque a grandeza que dele provém năo mata a solidăo
e timido sussurrou:
- sabes, ja estou farto de dançar
- quero ser pequeno mas ao menos poder sonhar.
Prolonguei-me estendido nas vastas e solenes danças da maré,
e o mar năo sofre..
mas tambem năo ama.
quarta-feira, novembro 13, 2002
Confuso
será
será que estou rumando a dois destinos...
a duas fases que me dăo extremos.
serei doido?
o tentar compreender desafia-me
e vence-me em dois segundos.
tento conciliar o pensamento de ambas as pontas
e acabam embrulhados
pensamentos alheios, que năo pertencem, misturados.
ao chegar, descendo as escadas devagar
penso e tento perceber
que talvez as conclusőes n pertençam,
n deviam ser.
e sem que o tempo me perturbe
imovel face a este infinito silęncio
concluo que năo devia escrever,
rimas faceis, linha arcaica
tudo isto nao devia ser.
será que estou rumando a dois destinos...
a duas fases que me dăo extremos.
serei doido?
o tentar compreender desafia-me
e vence-me em dois segundos.
tento conciliar o pensamento de ambas as pontas
e acabam embrulhados
pensamentos alheios, que năo pertencem, misturados.
ao chegar, descendo as escadas devagar
penso e tento perceber
que talvez as conclusőes n pertençam,
n deviam ser.
e sem que o tempo me perturbe
imovel face a este infinito silęncio
concluo que năo devia escrever,
rimas faceis, linha arcaica
tudo isto nao devia ser.
segunda-feira, novembro 11, 2002
Incrível
É incrivel como me voltaste a fazer sonhar..
Como me trouxeste energia a vida.
Sabes, és uma flor que eu colhi e eternizei
porque de alguma forma serás sempre um ponto brilhante no meu céu.
Como me trouxeste energia a vida.
Sabes, és uma flor que eu colhi e eternizei
porque de alguma forma serás sempre um ponto brilhante no meu céu.
domingo, novembro 10, 2002
Paz na solidao
Está um calor abrasador.
A cama coberta de branco ganha vida, assim que Joao
recupera os sentidos..
Desorientado e deslocado, aparenta cansaço.
- Onde estou?
- Porque me doi bem fundo cá dentro? Porque?
Senta-se na sua cama, pensativo.
Em sofrimento..
Afagando as suas feridas chora. E diz ao céu que nunca mais será puro.. Nunca Joăo sentira a sua loucura ao rubro.
- Quero estar só.
- Quero esquecer que o dia ás vezes trás alegria.
- Năo quero sequer acreditar que há pessoas lindas.
Levanta-se e fecha a janela com violencia.
A forma mais simples de se esconder do mundo é cobrir o ambiente de negro, esse vasto véu de solidăo.
Respira ofegante (gemendo a sua dor) á medida que o escuro lhe proporciona aquele prazer temporario, alivio que tras calma.
- Joăo Joăo, nunca aprendes!
- A tua transparencia e pureza só te trás angustia e desilusăo.
- Foge Joăo, foge.. para bem longe, para onde possas voltar a fugir. Porque nunca será diferente.
Monologos atrás de monologos..
Perguntas atrás de perguntas.. sem resposta.
Joăo chora.. e cobre os lençois de abandono. Aninhado, foca o brilho de uma fotografia.
Inesperadamente grita, talvez porque voltou a pensar.
E neste quarto quase vazio, de janela fechada e sonhos enfraquecidos, o fumo de um cigarro é talvez
o que de mais vivo possa ter surgido.
Tremulo, saboreia o cigarro.
Lagrimas escorrem por entre o fumo e arrepiam.. săo metaforas e adjectivos, săo as gotas
de silencio que ecoaram semana fora, vida fora..
- É a indiferença, a falta de emoçăo..
Afirma indignado.
- Sois falso se escondes ou moderas teus sentimentos!
- Quero estar só.
- Sou uma pelicula de ridiculo, fragil e acabado. Choro por dentro pois sou fraco, desvinculado da realidade. Sim,
porque essa para mim já morreu.
O telefone toca e Joăo esconde o pensamento. Arremeça violentamente a origem deste som ensurdecedor contra a parede.
- QUERO ESTAR SÓ!
E chora.. quebra e mete as măos a cabeça.
- Sofro porque quero, e é por năo querer outra coisa..
- Serei janela trancada, janela que dá para o mar.
- Serei brisa matinal, que foge do tempo.
- Tudo para me compensar, para năo mais sofrer por amar.
Joăo acordou a querer morrer e já tăo cedo quer mudar..
Cigarro atras de cigarro, memoria atras de memoria.. passado que năo quer passar.
É cedo, o silencio apodera-se do quarto e o fumo já é imenso..
A cama encontra-se deslocada da sua posiçăo inicial. Fotografias rasgadas cobrem o chăo, brilhante.
Săo memorias que queriam ser esquecidas, irascívelmente destruidas.
Joăo adormece.. e vai murmurando..
- Quero estar só.. para mais năo sofrer.
- Quero estar só..
- Só..
Caindo no sono e na ilusăo (fragil contentamento), mal sabe Joăo que nunca será assim.
A paz emocional é temporaria e cativante e nunca.. nunca será diferente.
Pobre Joăo, só encontra paz na solidăo.
A cama coberta de branco ganha vida, assim que Joao
recupera os sentidos..
Desorientado e deslocado, aparenta cansaço.
- Onde estou?
- Porque me doi bem fundo cá dentro? Porque?
Senta-se na sua cama, pensativo.
Em sofrimento..
Afagando as suas feridas chora. E diz ao céu que nunca mais será puro.. Nunca Joăo sentira a sua loucura ao rubro.
- Quero estar só.
- Quero esquecer que o dia ás vezes trás alegria.
- Năo quero sequer acreditar que há pessoas lindas.
Levanta-se e fecha a janela com violencia.
A forma mais simples de se esconder do mundo é cobrir o ambiente de negro, esse vasto véu de solidăo.
Respira ofegante (gemendo a sua dor) á medida que o escuro lhe proporciona aquele prazer temporario, alivio que tras calma.
- Joăo Joăo, nunca aprendes!
- A tua transparencia e pureza só te trás angustia e desilusăo.
- Foge Joăo, foge.. para bem longe, para onde possas voltar a fugir. Porque nunca será diferente.
Monologos atrás de monologos..
Perguntas atrás de perguntas.. sem resposta.
Joăo chora.. e cobre os lençois de abandono. Aninhado, foca o brilho de uma fotografia.
Inesperadamente grita, talvez porque voltou a pensar.
E neste quarto quase vazio, de janela fechada e sonhos enfraquecidos, o fumo de um cigarro é talvez
o que de mais vivo possa ter surgido.
Tremulo, saboreia o cigarro.
Lagrimas escorrem por entre o fumo e arrepiam.. săo metaforas e adjectivos, săo as gotas
de silencio que ecoaram semana fora, vida fora..
- É a indiferença, a falta de emoçăo..
Afirma indignado.
- Sois falso se escondes ou moderas teus sentimentos!
- Quero estar só.
- Sou uma pelicula de ridiculo, fragil e acabado. Choro por dentro pois sou fraco, desvinculado da realidade. Sim,
porque essa para mim já morreu.
O telefone toca e Joăo esconde o pensamento. Arremeça violentamente a origem deste som ensurdecedor contra a parede.
- QUERO ESTAR SÓ!
E chora.. quebra e mete as măos a cabeça.
- Sofro porque quero, e é por năo querer outra coisa..
- Serei janela trancada, janela que dá para o mar.
- Serei brisa matinal, que foge do tempo.
- Tudo para me compensar, para năo mais sofrer por amar.
Joăo acordou a querer morrer e já tăo cedo quer mudar..
Cigarro atras de cigarro, memoria atras de memoria.. passado que năo quer passar.
É cedo, o silencio apodera-se do quarto e o fumo já é imenso..
A cama encontra-se deslocada da sua posiçăo inicial. Fotografias rasgadas cobrem o chăo, brilhante.
Săo memorias que queriam ser esquecidas, irascívelmente destruidas.
Joăo adormece.. e vai murmurando..
- Quero estar só.. para mais năo sofrer.
- Quero estar só..
- Só..
Caindo no sono e na ilusăo (fragil contentamento), mal sabe Joăo que nunca será assim.
A paz emocional é temporaria e cativante e nunca.. nunca será diferente.
Pobre Joăo, só encontra paz na solidăo.
sábado, novembro 09, 2002
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